Este artigo pertence ao guia Habitação.

Garantia Pública no Crédito Habitação Jovem 2026

⚡ Resposta rápida

Até aos 35 anos, o Estado garante até 15% do crédito de casa até 450.000 €, permitindo financiamento até 100% — sem entrada. Só para contratos fechados até 31 de dezembro de 2026.

📖 Leitura completa: 8 min

Verificado a 08/09/2026 pela redação do Tens Direito · Fontes: portugal.gov.pt · diariodarepublica.pt · bportugal.pt.

A medida termina a 31 de dezembro de 2026. A lei prevê a possibilidade de prorrogação, mas não há, à data de verificação, nenhuma confirmação de que vai continuar em 2027 nas mesmas condições. Se queres usar esta garantia, o contrato de crédito tem de estar fechado até lá.
Na prática

O que muda para quem compra casa

O Banco de Portugal recomenda aos bancos um rácio máximo entre o crédito e o valor do imóvel (LTV, loan-to-value) de 90% na habitação própria e permanente e de 80% para outras finalidades — é essa a razão de fundo por que, sem mais nada, um banco costuma pedir-te uma "entrada" de 10% a 20% do valor do imóvel, mais os custos da compra (escritura, registos, eventual IMT). Numa casa de 200.000 €, isso pode significar precisar de 20.000 a 40.000 € antes sequer de pedir o crédito.

Com a Garantia Pública, o Estado garante ao banco até 15% do valor de aquisição — é exactamente essa margem que falta para chegar aos 100%, sem que precises de entrada. A decisão final do banco continua a ser livre (ver "Erros comuns", mais abaixo).

A garantia dura 10 anos a contar da data do contrato de crédito, reduzindo-se proporcionalmente se fizeres reembolsos antecipados parciais.

Banco de Portugal

Os limites do Banco de Portugal — e porque a garantia não os dispensa

Estes limites vêm da Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal, de 2 de julho de 2026, em vigor desde 1 de agosto de 2026 — substitui a recomendação equivalente de 2018. É dirigida aos bancos, não é uma lei: assenta no princípio de "cumprir ou explicar" (o supervisor espera que seja seguida, mas um banco pode justificar um desvio perante o Banco de Portugal) e não confere a ninguém o direito a um financiamento.

O acesso automatizado a bportugal.pt, incluindo o PDF da Recomendação, está bloqueado nesta verificação — estes factos foram confirmados por triangulação do comunicado oficial do Banco de Portugal com imprensa especializada, nunca lidos directamente no documento original.

Condições

Quem tem direito

Como pedir

Como pedir a garantia

  1. Confirma que cumpres os requisitos acima.
  2. Pede simulações a vários bancos, indicando explicitamente que queres usar a Garantia Pessoal do Estado.
  3. É o banco quem verifica a tua elegibilidade — não existe candidatura nem formulário a entregar a nenhum organismo público.
  4. O banco continua a avaliar a tua solvabilidade normalmente — rendimentos, outros créditos, taxa de esforço — como em qualquer crédito habitação.
  5. Fecha o contrato até 31 de dezembro de 2026, a data-limite legal.
Combinar apoios

Interação com outros apoios

A Garantia Pública é acumulável com o IMT Jovem — uma trata do financiamento no banco, a outra da isenção de impostos na escritura. Muitos jovens usam as duas medidas na mesma compra — podes ver quanto poupas em impostos no simulador de IMT Jovem.

Se estavas a receber o Porta 65 como apoio ao arrendamento e vais agora comprar casa com esta garantia, cancela o Porta 65 no Portal da Habitação assim que deixares de pagar renda — os dois apoios destinam-se a situações diferentes (arrendar vs. comprar) e não fazem sentido em simultâneo.

Checklist: pedir a garantia pública no crédito habitação

0 de 6 concluídos

Erros comuns

Pensar que é um crédito do Estado

Não é. O crédito continua a ser concedido por um banco privado, com juros e condições próprias do banco. O Estado só garante uma parte do risco perante esse banco — não empresta dinheiro directamente a ninguém.

Pensar que dispensa a avaliação de solvabilidade

Não dispensa. O banco continua a avaliar os teus rendimentos, outros créditos e taxa de esforço, exactamente como faria sem a garantia — a garantia reduz o risco do banco, mas não obriga a nenhuma aprovação.

Esquecer que o Imposto do Selo do crédito continua a ser devido

A garantia pública não isenta impostos — o Imposto do Selo do contrato de crédito (normalmente 0,6% do capital financiado) continua a ser sempre pago. Só o IMT Jovem trata da isenção de impostos na escritura.

Achar que ainda é possível financiar 100% comprando um imóvel do próprio banco, sem a garantia pública

Havia essa excepção, mas foi eliminada com a nova Recomendação do Banco de Portugal (ver "Os limites do Banco de Portugal", acima) — hoje, com o LTV geral recomendado em 90%, a garantia pública é o mecanismo previsto para viabilizar esse financiamento até 100%, mesmo comprando um imóvel que já pertence ao banco.

Dúvidas frequentes

A garantia pública pode ser prorrogada para 2027?

A lei prevê essa possibilidade, mas até à data de verificação não há nenhuma confirmação de que a medida vai continuar em 2027 nas mesmas condições. O Governo já reforçou a dotação disponível duas vezes (a mais recente, +750 milhões de euros em abril de 2026, elevando o total para cerca de 2,3 mil milhões de euros), mas isso não é o mesmo que prorrogar o prazo — quem quer usar esta garantia deve assumir que tem de fechar contrato até 31 de dezembro de 2026.

Verificado 20/07/2026 — portugal.gov.pt

Preciso de me candidatar ao Estado para ter esta garantia?

Não. Não há candidatura nem formulário a entregar a nenhum organismo público. Pedes o crédito habitação directamente ao banco, como farias normalmente, e é o próprio banco que verifica se cumpres os requisitos e que trata do processo da garantia do Estado.

Verificado 20/07/2026

A garantia obriga o banco a aprovar o meu crédito?

Não. A garantia do Estado reduz o risco do banco, mas não substitui a análise normal de solvabilidade — o banco continua a avaliar a tua situação financeira (rendimentos, outros créditos, taxa de esforço até 45% recomendados pelo Banco de Portugal) como faria em qualquer crédito habitação, e pode recusar o pedido. É uma recomendação do supervisor, sujeita ao princípio de "cumprir ou explicar" — não é uma lei que te confira o direito ao financiamento.

Verificado 08/09/2026 — Decreto-Lei n.º 74-A/2017; Aviso do Banco de Portugal n.º 4/2017; Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026

Sem a garantia pública, porque é que o banco não financia os 100% da casa?

Porque o Banco de Portugal recomenda um rácio máximo entre o crédito e o valor do imóvel (LTV) de 90% na habitação própria e permanente, e de 80% para outras finalidades (Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, em vigor desde 1 de agosto de 2026). Sem um mecanismo que cubra essa diferença, os bancos tendem a manter-se dentro desse limite. A garantia pública cobre exactamente essa margem — até 15% — o que, somado ao financiamento normal, permite chegar aos 100%.

Verificado 08/09/2026 — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, Banco de Portugal

A garantia dispensa os limites de taxa de esforço (DSTI) do Banco de Portugal?

Não. O Banco de Portugal recomenda um limite máximo de taxa de esforço (DSTI) de 45% dos rendimentos — antes eram 50%. A garantia pública não substitui nem dispensa essa avaliação. Os bancos têm ainda uma margem para conceder crédito acima desse limite, mas limitada a 10% do montante total concedido por cada instituição, em cada semestre — uma margem única, que substitui o sistema de margens escalonadas por tipo de crédito da recomendação anterior, de 2018.

Verificado 08/09/2026 — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, Banco de Portugal

Há um prazo máximo para pagar o crédito, além da idade limite?

Sim. O Banco de Portugal recomenda um prazo máximo de 40 anos para quem tem até 35 anos, e de 35 anos para quem tem mais de 35. Como a garantia pública já exige teres entre 18 e 35 anos, este limite raramente é a parte mais restritiva do teu caso.

Verificado 08/09/2026 — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, Banco de Portugal

Se comecei o processo de crédito antes de agosto de 2026, aplicam-se as regras novas ou as antigas?

O que conta é a data em que o banco fez a avaliação da tua solvabilidade, não a data em que assinas o contrato — a Recomendação está em vigor desde 1 de agosto de 2026, mas se essa avaliação for anterior a essa data, o teu processo pode continuar abrangido pelas regras anteriores, mesmo que o contrato só venha a ser celebrado depois. Confirma directamente com o banco em que momento do processo estás.

Verificado 08/09/2026 — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, Banco de Portugal

Posso usar a garantia pública e o IMT Jovem ao mesmo tempo?

Sim, são acumuláveis. A garantia pública facilita o financiamento no banco (até 100%, sem entrada); o IMT Jovem isenta-te de impostos na escritura. É comum os dois serem usados na mesma compra.

Verificado 20/07/2026

Artigos relacionados

Ver todas as atualizações →

Fontes verificadas — 8 setembro 2026
· portugal.gov.pt — Garantia Pública: o que é e como funciona
· diariodarepublica.pt — Decreto-Lei n.º 44/2024, de 10 de julho
· diariodarepublica.pt — Portaria n.º 236-A/2024/1, de 27 de setembro
· diariodarepublica.pt — Decreto-Lei n.º 74-A/2017 e Aviso do Banco de Portugal n.º 4/2017 (regime de avaliação de solvabilidade no crédito à habitação)
· bportugal.pt — Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026, de 2 de julho de 2026, em vigor desde 1 de agosto de 2026 (LTV, DSTI e prazos máximos recomendados). Estatuto da fonte: o acesso automatizado a bportugal.pt, incluindo o PDF da Recomendação, está bloqueado nesta verificação — triangulada por comunicado oficial do Banco de Portugal e imprensa especializada, nunca lida directamente no documento original.
Aviso de independência: Este site é independente e não tem qualquer relação com o Estado, o Portal da Habitação ou qualquer banco. A informação tem carácter informativo e pode não reflectir alterações recentes. Confirma sempre as condições actuais com o teu banco ou em portugal.gov.pt.